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Sem grandes poderes, sem responsabilidades

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A fascinação por HQs de super-heróis é evidente na nossa cultura pop, mas só há pouco tempo o cinema conseguiu realizar (quase sempre) homenagens decentes para esses personagens, vide o sucesso de franquias como Spider-Man, Hulk, Batman e companhia.

A sociedade sempre cultuou os seus heróis. Por exemplo, lá na Grécia Antiga, antes de Cristo e muito antes da Marvel, os gregos acreditavam que para o indivíduo se tornar um herói não precisava ser picado por uma aranha radiotativa ou ser testemunha do assassinato cruel dos próprios pais, para os antigos, o herói era algo entre os deuses e os homens, sendo, em geral filho de um deus e uma mortal (Hércules, Perseu), ou vice-versa (Aquiles), ou seja, era genético, lógico que não era igual aos X-Men, mas era genético e ao mesmo tempo, semi-divino.

Mas e quando o cara, mesmo que não venha de Krypton, mesmo possuindo consideráveis graus de miopia, mesmo sendo um exemplo de péssimo atleta, simplesmente decide ser herói porque acha isso legal. Essa é a premissa de Kick-Ass, a HQ escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita Jr., publicada em 2008 pela Marvel e que irá chegar aos cinemas esse ano, mas que graças a algo chamado internet, consegui assistir ontem.

Kick-Ass com certeza não será o filme do ano, mas a sua força está justamente em conseguir se comunicar com um público bem específico: a atual geração 2.0 que faz download de HQs, tira fotos em celular, discute Lost em blogs e etc…

Cada diálogo do filme faz referência às tecnologias do nosso cotidiano e está aí um dos segredos de identificação com o público, já que o Kick-Ass é um “super-herói” que conversa com seus fãs através do myspace.

A trama do filme mão possui grandes revoluções na narrativa, mas mistura humor e violência na medida certa. Sim, violência, já que o diretor Matthew Vaughn não poupa esforços nas cenas em que Hit Girl – uma heroína de 11 anos – reduz bandidos a meros pedaços de carne a base de chutes e golpes de espada.
Kick Ass, o filme que mostra um herói que provoca risos constrangedores e não temor em vilões, mostra o que poderia acontecer se alguém decidisse se tornar um vigilante mascarado. Essa premissa é clichê, mas felizmente, é um clichê usado ao seu favor.

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HQ com Y maiúsculo

Salada de Frutas

Todos sabem que as histórias em quadrinhos não compreendem apenas as aventuras do Wolverine, Gambit, Magneto, Rita Lee e os demais mutantes. Histórias em quadrinhos compreendem um vasto universo no mundo da comunicação e seu poder de influência na cultura pop é evidente.

Assim como outras mídias, as HQs possuem conteúdos diversos, alguns descartáveis, outros geniais, felizmente a série Y – O Último Homem pertence ao segundo tipo.

Y – O Último Homem conta a história de Yorick Brown, o único sobrevivente de uma praga que, de repente, matou todos os homens do planeta.  Um argumento desses não é inédito e mesmo assim estaria fadado ao fracasso, mas a sorte que o autor, Brian Vaughan,  realizou uma ampla pesquisa sobre os efeitos que uma catástrofe como essa podia ter. Grande parte das religiões colapsa, já que morreram, ao mesmo tempo, todos os padres católicos, muçulmanos e judeus ortodoxos. Se antes do incidente a potência militar eram os EUA, no mundo pós-homens é Israel - um dos poucos países que efetivamente tinha mulheres servindo no exército.

A narrativa de Brian Vaughan é conduzida com diálogos rápidos e personagens bem construídos e os desenhos de Pia Guerra são limpos, mostrando que uma história em quadrinhos é também um meio inteligente e criativo de comunicação.

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