A nova reforma ortográfica na Língua Portuguesa está gerando controvérsias. Assinada pelo nosso presidente Inácio Lula da Silva, em 29 de Setembro de 2008, no Rio de Janeiro, ela visa algumas alterações um tanto interessantes na nossa língua. A intenção dessa reforma é a padronização com os demais países lusófonos, como nosso colonizador Portugal e suas colônias Trinidad e Tobago entre outras. Outro fator interessante, é que apesar das diversas diferenças (que iremos ver a seguir), é que apenas em torno de 0,5% de nossa ortografia será mudada, muito pouco, se comparado com toda a extensão de nossa Língua.
Não quero aqui “puxar o assado” para o lado positivo ou negativo, mas vou levantar algumas questões.
Positivo:
1. Integração da Língua com os países de colonização lusa;
2. Padronização dos termos jurídicos, o que facilitará os contratos internacionais;
3. Abertura de possibilidade da Língua Portuguesa ser oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), juntamente com a língua inglesa, espanhola, francesa, árabe, mandarim e a russa.
Negativo:
1. Estrutura para a padronização e atualização (tanto de professores, livros, etc.)
2. Se nossa base de ensino já é precária, como reensinar as crianças e adolescentes a reescrever?
3. De que adianta fazermos parte de uma Língua oficial e afim com outros países se grande parte de nossa população continua sem saber ao menos assinar o nome corretamente?
Em fim, fica em aberto os prós e contras da nova estrutura ortográfica que está em vigor. Somente espero que tenhamos o discernimento de conseguir por em prática mais uma coisa em nosso país, onde a falta de conhecimento e de oportunidade ainda fala mais alto.
Veja algumas atualizações:
HÍFEN
Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra”, “infrassom”. Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r - ou seja, “hiper-”, “inter-” e “super-”- como em “hiper-requintado”, “inter-resistente” e “super-revista”;
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial”, “autoestrada”;
TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados.
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. “pára” (flexão do verbo parar) de “para” (preposição);
2. “péla” (flexão do verbo pelar) de “pela” (combinação da preposição com o artigo);
3. “pólo” (substantivo) de “polo” (combinação antiga e popular de “por” e “lo”);
4. “pélo” (flexão do verbo pelar), “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação da preposição com o artigo);
5. “pêra” (substantivo - fruta), “péra” (substantivo arcaico - pedra) e “pera” (preposição arcaica);
ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus derivados. A grafia correta será “creem”, “deem”, “leem” e “veem”;
2. em palavras terminados em hiato “oo”, como “enjôo” ou “vôo” -que se tornam “enjoo” e “voo”;
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”;
2. nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos:
feiúra” e “baiúca” passam a ser grafadas “feiura” e “baiuca”;
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue e arguem;
Fonte: Folha de São Paulo